sábado, 4 de março de 2017

2 - ENVOLVENTE FÍSICA DA PENÍNSULA IBÉRICA


ENVOLVENTE FÍSICA 
DA PENÍNSULA IBÉRICA

É evidente que o desenvolvimento histórico de determinado território é condicionado, em última análise, pelo espaço físico onde está implantado. Sendo a Península Ibérica uma das cinco penínsulas do Continente Europeu, a sua História está instrinsecamente ligada à do continente, embora a sua localização física seja determinante para tornar essa História algo diferente da europeia em alguns aspectos.

Situando-se no extremo ocidental da Europa, a Península Ibérica é o único espaço europeu que usufrui do contacto pleno com dois mares – o Oceano Atlântico, nas costas Norte, Oeste e Sudoeste, tendo o Mar Mediterrânico a Sul e a Leste. A barreira dos Pirinéus no istmo que a liga à Europa, não sendo própriamente intransponível, condiciona de algum modo o contacto com o resto do continente.

A Cordilheira dos Pirinéus, situada no Nordeste da Península, é a fronteira natural desta com o resto da Europa. Os Pirinéus estendem-se por aproximadamente 430 km, desde o golfo da Biscaia, no oceano Atlântico, até ao cabo de Creus (extremo oriental da Península), no mar Mediterrâneo. O ponto mais alto da cordilheira é o Monte Aneto, no maciço da Maladeta, com 3404 m de altitude, havendo ainda cerca de duzentos picos acima dos 3000 m. As montanhas mais altas estão constantemente cobertas de neve.

A Sul, a Península Ibérica está separada do Norte de África pelos 14,5 km do Estreito de Gibraltar – a única abertura do Mar Mediterrâneo para o Oceano. A profundidade do estreito varia entre aproximadamente 280 e 1000 metros. Do ponto de vista geológico, o estreito de Gibraltar resultou da fissura das duas placas tectônicas: a Placa Euroasiática e a Placa Africana. Em poucos lugares do mundo se podem observar tantos contrastes sociais numa distância tão curta.

MAPA FÍSICO DA EUROPA, NORTE DE ÁFRICA E MÉDIO ORIENTE

EUROPA – RELEVO CONTINENTAL E MARÍTIMO (visto do espaço – NASA)

OS PIRINÉUS – MAPA FÍSICO (e político)

Para se perceber melhor o significado da expressão "barreira dos Pirinéus", este é o exemplo gráfico mais significativo:  OS PIRINÉUS – RELEVO

PROFUNDIDADES DO MAR MEDITERRÂNEO

PORMENOR DAS PROFUNDIDADES DO ESTREITO DE GIBRALTAR

CORTE GEOLÓGICO ESQUEMÁTICO DO MAR MEDITERRÂNEO 
Em corte aproximado pelo Paralelo 38º

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

CARACTERÍSTICAS GEOGRÁFICAS DA PENÍNSULA IBÉRICA

Península Ibérica vista do Espaço. Esta imagem da NASA foi trabalhada digitalmente pelo artista digital russo Anton Balazh, de São Petersburgo. Exagerando o relevo, as cores e modificando outros aspectos da atmosfera (como as nuvens) e oceanos, Balazh conseguiu uma imagem limpa e fascinante da geografia ibérica.

APRESENTAÇÃO

Iniciei o desenho de mapas históricos da Península Ibérica no verão de 2006 por simples gozo, numa espécie de “aproveitamento de tempos livres”, um hobby portanto. No entanto, passados dez anos, resolvi dar-lhes um contexto e um aproveitamento. O contexto foi a realização da Cronologia Histórica da Península Ibérica. O aproveitamento será publicar os desenhos de mapas e a cronologia num blogue próprio.
Intitulei-o Atlas Histórico da Península Ibérica, que inicio hoje.

Claro que tudo isto levará o seu tempo, à medida em que haja mapas e respectiva cronologia prontos.

CARACTERÍSTICAS GEOGRÁFICAS 
DA PENÍNSULA IBÉRICA

Relevo da Península Ibérica

 Mapa esquemático síntese: Principais rios e respectivos afluentes

A Península Ibérica (o nome, de origem grega, deriva do Rio Iber – o actual Ebro) é a mais ocidental das três grandes penínsulas do sul da Europa, sendo as outras a península Itálica e a península Balcânica. Em área é a segunda maior península da Europa, com uma área de cerca de 583 832 km², apenas ultrapassada pela península Escandinava. Formando quase um trapézio (Estrabão escreveu que se parecia com uma pele de touro), a península liga-se ao resto do continente europeu pelo istmo constituído pela cordilheira dos Pirenéus, sendo rodeada a norte, oeste e parte do sul pelo oceano Atlântico, e a restante costa sul e leste pelo mar Mediterrâneo. Os seus pontos extremos são a ocidente o cabo da Roca, a oriente o cabo de Creus, a sul a ponta de Tarifa e a norte a estaca de Bares.

Com uma altitude média bastante elevada, apresenta predomínio de planaltos rodeados por cadeias de montanhas, e que são atravessados pelos principais rios, sendo os mais importantes são o Tejo, o Douro, o Guadiana e o Guadalquivir, que desaguam no oceano Atlântico, e o Ebro, que desagua no mar Mediterrâneo. O ponto mais alto da península é o pico de Mulhacén, na Sierra Nevada – cordilheira Penibética, com 3482 metros de altitude, sendo o rio mais extenso o Tejo, com 1007 Km.

As elevações mais marcantes são a cordilheira Cantábrica, no norte; o sistema Penibético (serra Nevada) e o sistema Bético (serra Morena), no sul; e ainda a cordilheira Central (serra de Guadarrama), de que a serra da Estrela é o prolongamento ocidental. Considera-se como centro geográfico da península o Cerro de los Ángeles (Colina dos Anjos), uma colina situada no município de Getafe, a 10 km a sul de Madrid.

Densamente povoada no litoral, a península Ibérica apresenta fraca densidade populacional nas regiões interiores. Excepção a esta regra é a região de Madrid, densamente povoada.

Topografia

A sua topografia tem como principal característica que a maior parte da sua superfície está configurada como uma meseta, pendendo ligeiramente para poente. A meseta tem uma altura média de 600 metros sobre o nível do mar; o litoral é rochoso e com penhascos a norte, nordeste, noroeste e sudeste, sendo mais suave a maior parte do litoral este e sul.

Pontos extremos:

· Ponto mais a Sul: ponta de Tarifa.
· Ponto mais a Norte: ponta da Estaca de Bares.
· Ponto mais a Este: cabo de Creus.
· Ponto mais a Oeste: cabo da Roca.
· Ponto mais profundo: Torca del cerro del Cuevón – nos Picos de Europa (-1589 metros).
· Ponto mais alto: Mulhacén – na Sierra Nevada (3482 metros).
· Temperatura mais alta: 51°C em Sevilla, 30 de julho de 1876.
· Temperatura mais baixa: -32°C no lago Estangento, Lérida, 2 de fevereiro de 1956.

Entre as principais cordilheiras da península Ibérica estão a cordilheira Bética (subdivide-se na cordilheira Penibética e cordilheira Sub-bética), a cordilheira Cantábrica, o sistema Central, o sistema Ibérico e a cordilheira Pré-litoral.

Algumas das serras mais representativas destas cordilheiras, ou isoladas, são a serra Nevada, serra de Guadarrama, serra Morena, picos de Europa, serra de Gredos, La Serrota, serra de Guadarrama, serra da Estrela, serra do Larouco, serra da Peneda, serra do Gerês, serra do Soajo, serra do Marão, serra de Montesinho, serra de Bornes, serra da Nogueira, serra de Leomil, serra do Caramulo, serra da Marofa, serra de Gata, serra da Gardunha, serra da Lousã, serra de Alvelos ou serra de São Mamede.


Orientação dos perfis topográficos apresentados em baixo

Perfil Norte-Sul baseado em esquema publicado em
Perfil Oeste-Este, - à latitude de Lisboa. Baseado em esquema publicado em http://web.letras.up.pt/asaraujo/geofis/t1.html
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